Pra aprender de vez sobre o mundos dos fortificados.

Aprenda o que são vinhos fortificados, os tipos e principais características

Você sabe o que são os vinhos fortificados? Fortificados são vinhos que foram adicionados algum tipo de bebida destilada de forma a parar a fermentação do mesmo. No geral são líquidos com maior teor alcoólico e grande potencial de guarda.

Você sabia que os fortificados, também chamados de licorosos ou generosos só existem porque comerciantes adicionavam aguardente vínica, destilado de vinho muito alcoólico, para que os vinhos não estragassem durante o transporte? Isso até notarem que o processo tornava o líquido mais complexo e saboroso.

Vamos falar agora #SemSegredos sobre as particularidades de cada um deles. Vem com a gente!

Vinhos fortificados e seus tipos principais

Vinho do Porto

vinho do porto

Do norte português, o blend de várias cepas é o mais famoso dos licorosos. Pode ser branco, rosé ou tinto, e é classificado basicamente em Ruby e Tawny. A adição da aguardente vínica ocorre antes da fermentação completar-se, assim o açúcar que não foi transformado em álcool permanece na bebida.

Jerez ou Xerez

jerez

De Andaluzia, sul da Espanha. Somente as castas brancas Palomino, Pedro Ximénez e Moscatel são permitidas e, aqui, a aguardente é adicionada depois da fermentação acabar, resultando em quantidade de açúcar menor que a do primo lusitano. Pode ser generoso, generoso licoroso (mais doce) ou vinho doce natural.

Você já ouviu falar sobre a flor? Como mostra a foto acima, flor é um véu de leveduras que protege o líquido do contato com o oxigênio.  Ela confere ao líquido um sabor único, e com um leve toque de levedura. Esse tipo de vinho não pode ser produzido em outro lugar sem nesta região e esse método é chamado de Solera. 

A flor subdivide os rótulos em crianza biológica, caso do Xerez Fino e Pedro Ximénez, por exemplo, ou crianza oxidativa, onde se encaixam, entre outros, Amontillado e Oloroso. Esses últimos amadurecem parcial ou totalmente sem o véu, e o teor alcoólico aqui pode chegar a 20%.

Marsala

vinho marsala

Bastante utilizado em receitas, como tiramisù, pode ser elaborado a partir de diferentes uvas autóctones brancas e tintas. É classificado segundo a coloração, tempo em barricas, que varia de um a dez anos, e níveis de açúcar, que podem ultrapassar 100g/L. Se quer uma dica de harmonização #SemErro, aposte em queijos como Gorgonzola e Parmesão.

Clique aqui para aprender mais sobre como harmonizar queijo com vinho.

É dividido em 5 tipos:

  • Fine – envelhecimento mínimo, inferior a um ano;
  • Superiore – envelhecimento de pelo menos dois anos;
  • Superiore Riserva – envelhecimento de pelo menos quatro anos;
  • Soleras – envelhecimento de pelo menos cinco anos;
  • Soleras Stravecchio e Soleras Riserva – envelhecimento de pelo menos dez anos.

Madeira

fortificado madeira

Da ilha lusitana de mesmo nome, seu principal diferencial está no amadurecimento, que pode ser por estufagem ou canteiro. Na estufagem, o líquido é submetido a cozimento a quase 50°C, com estágio de no mínimo 90 dias em temperatura ambiente. Depois, pode continuar em tanques de aço inox ou passar para pipas de carvalho.

Quando o método escolhido é o canteiro, a bebida fica por pelo menos dois anos em barricas apoiadas sobre vigas de madeira, chamadas de canteiros, nos pisos mais altos da adega, onde o sol incide energicamente.

Ambos processos expõem o vinho a situações extremas, tornando-o praticamente imune à oxidação. Não é de surpreender a reputação do Madeira de imortal, nem que ele tenha figurado entre os preferidos de Thomas Jefferson, terceiro presidente estadunidense e grande admirador do mundo vitivinícola.

Banyuls

Banyuls

Claro que a França não poderia ficar de fora. Seu representante vem da apelação mais ao sul do país, bem próxima da fronteira com a Espanha, onde o sol e o Mediterrâneo têm ótimas influências sobre vinhas de baixíssimos rendimentos. A Grenache Noir é a grande estrela desse vinho, considerado um dos melhores para harmonizar com o temperamental chocolate.

Vamos falar de comida?

 

Você deve estar se perguntando: “tá, mas com o que posso harmonizar meu vinho fortificado?” Isso quem responde é a sommèliere Stephani Vaz, que é fã de carteirinha de Vinho do Porto e não dispensa uma tacinha no final de semana:

“Perfeitos como aperitivos, os fortificados também combinam com receitas caramelizadas, queijos azuis e sobremesas. Para aproveitar os aromas, sirva brancos entre 6 e 9ºC, e tintos entre 12 e 15ºC. Os que amadurecem por mais tempo devem ser servidos em temperatura mais alta, até 18°C. E não se esqueça: a taça deve ter bojo pequeno e abertura sutil para direcionar o líquido à ponta da língua, onde sentimos o dulçor.“

Agora que você aprendeu o que são vinhos fortificados, recomendamos uma tacinha para ajudar a espairecer, papel que nenhum outro vinho cumpre tão bem. Que tal?