Tudo o que você precisa saber sobre Chianti, o vinho que tem gosto de Itália

Chianti: conheça um dos vinhos mais famosos da Itália

Chianti é um nome que muitos enófilos conhecem, afinal, faz parte da lista de vinhos italianos extremamente famosos, junto de ícones como Barolo, Barbaresco, Brunello di Montalcino e Amarone della Valpolicella.

Mas qual seria o motivo de tanto sucesso? Qual é a história por trás de um dos vinhos mais famosos da Itália? Hoje, vamos contar em detalhes tudo o que você precisa saber sobre Chianti e como ele se tornou um dos símbolos da vitivinicultura do país da bota. Vamos lá?

Para introduzir o assunto, nossa sommelière Jessica Marinzeck traz um panorama geral sobre os vinhos de Chianti no nosso Especial Toscana. Confira:

GEOGRAFIA E CLIMA

Para iniciar essa história, é preciso ter em mente que a Toscana está localizada no centro da Itália e, no centro da Toscana, entre Florença, Siena e Arezzo, fica a região de Chianti.

Dito isso, é importante ressaltar que Chianti não é o nome de nenhuma uva. Acontece que o vinho é conhecido pelo nome da região, pois, assim como é comum entre os vinhos de Bordeaux, na França, os líquidos de Chianti têm uma mistura de uvas (conhecido como “corte” ou “blend”) tradicional. Nessa mistura, a Sangiovese é a principal, carregando consigo outras uvas locais ou internacionais, a depender das regras de cada sub-região.

Chianti possui um solo predominantemente de pedra, calcário, argila e galestro, que são pedras argilosas, ou seja, que podem reter bastante água – o que mantém as vinhas fora de um possível estresse hídrico e é muito favorável em períodos de calor excessivo. A região também conta com a pedra calcária alberese, além de possuir muitas colinas, fazendas e muitos castelos, dignos de se tornarem pinturas em quadros de artistas!

Vinhedos de Chianti

Vinhedos de Chianti. Fonte: Civitatis.

Geograficamente falando, Chianti nada mais é do que uma terra montanhosa, que se expande por cerca de 20km do norte até o sudeste, cujo ponto mais alto é o Monte San Michele, a cerca de 890 metros de altura do nível do mar. Neste local também existem 5 rios que cruzam e definem a área, são eles os rios Pesa, Greve, Ombrone, Staggia e Arbia.

Segundo o Consorzio Vino Chianti, grupo que, entre outras atividades, regulamenta e fomenta a valorização dessa Denominação de Origem, a altitude das colinas nas quais os vinhedos estão ficam em média entre 200 e 400 metros acima do nível do mar. 

O Consorzio também afirma que o clima da região pode ser definido como úmido ou sub-úmido, se enquadrando em uma espécie de “clima geral”, conhecido localmente como “colinas internas da Toscana”. 

A precipitação média anual de Chianti, ou seja, os níveis de chuva registrados, são de 867mm. Geralmente, o mês de agosto é tido como o mais quente, com temperaturas médias acima de 23°C, enquanto janeiro é considerado o mês mais frio, com temperaturas médias em torno de 5°C.

Esses e outros fatores citados acima são conhecidos como terroir, e influenciam diretamente na produção desse vinho tinto que amamos tanto, seja no que diz respeito ao nível de maturidade da uva ou a saúde das vinhas, por exemplo. Agora, vamos conhecer melhor a história desse ícone italiano?

A HISTÓRIA DE CHIANTI

Para muitos, Chianti é um vinho que dispensa identificação. Além de “ter um gosto de Itália” por conta de sua tipicidade, é possível distinguir a garrafa antes mesmo de ler o rótulo, por meio da incomparável imagem do Galo Negro – Gallo Nero, no país. Mas como tudo isso começou? Veja a seguir: 

POR TRÁS DO NOME

A verdade é que a origem do nome Chianti é incerta. Há quem diga que é uma derivação da palavra etrusca “clangor”, que significa “fanfarra de buzinas e sons”, e que também pode ser designada ao atrito entre objetos de metal, como espadas, ou o barulho das trombetas de caça – ambos ruídos muito comuns na Idade Média, por exemplo, época onde a atual região foi um verdadeiro campo de batalha. 

Também existe o significado “bater de asas” que pode estar interligado a lenda do Gallo Nero, que contaremos em breve neste artigo.

No entanto, a possibilidade mais aceita é que Chianti seja uma derivação de uma outra palavra etrusca, “clante”, que significa “água” e remete a abundância da mesma na região que, como dissemos antes, é delimitada por 5 rios. 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Desde a queda de Roma, o início da Idade Média até o Risorgimento, ou Renascimento, Chianti foi palco das constantes lutas que aconteceram entre Siena e Florença. As pequenas repúblicas e reinos da época ditavam a vida do povo e também o “tom” de seus vinhos, e, nesse passado conturbado nasce um dos vinhos mais famosos da Itália e tema do artigo de hoje: Chianti

A primeira referência à bebida aparece entre os séculos XIV e XV, em uma carta enviada ao mercador Francesco di Marco Datini, na qual o vinho até então era descrito como branco e obedecia poucas regras de produção. Este nome, no entanto, entraria de vez para a história a partir do ano de 1716, quando o Grão-Duque Cosimo III de’ Medici delimitou as zonas de produção e estabeleceu regras para quatro importantes vinhos toscanos: Chianti, Carmignano, Pomino e Valdarno di Sopra.

Essa situação teria originado o que hoje conhecemos como Denominação de Origem, ou seja, uma demarcação de território que certifica os vinhos, monitora a qualidade e garante que só serão comercializados os líquidos que são produzidos especificamente neste local. 

Somente no final do século XIX, após experiências utilizando uvas Sangiovese, Canaiolo, Trebbiano e Malvasia, o então barão Bettino Ricasoli, sócio da Academia dos Georgofili e primeiro ministro do reino da Itália, “inventou a receita” que mais se aproxima desse vinho que anualmente conquistas admiradores mundo afora.

A LENDA DO GALLO NERO

A origem do Gallo Nero, ou galo negro, mascote que estampa inúmeras garrafas de Chianti e é atualmente o símbolo da denominação de origem Chianti Classico é um tanto quanto inusitada. Como já comentamos, esta região presenciou inúmeras batalhas medievais – e foi em uma dessas lutas que este símbolo surgiu. Veja só:

Em meados do século XVII, as disputas políticas que envolviam Siena e Florença, em relação ao território de cada uma, chegaram nas denominações dos vinhos Chianti da época. Com intuito de resolver essa questão, uma proposta foi feita para a delimitação das fronteiras entre as cidades: uma corrida.

Isso mesmo que você leu, uma corrida! Assim que o galo cantasse na alvorada, cada cavalheiro escolhido para representar sua respectiva cidade deveria sair em direção à fronteira e, o primeiro que chegasse, conquistaria a região. 

Com este acordo feito, diz a lenda que o povo de Siena escolheu um galo branco, jovem e bem nutrido para cantar na alvorada, enquanto o povo de Florença escolheu um galo negro, magro e mal alimentado. Como era de se esperar, o galo negro, desesperado de fome, cantou antes do galo branco, garantindo a vantagem necessária para que Florença conquistasse o território maior que a vizinha. Há quem diga que essa disputa também garantiu a Florença a exclusividade do nome Chianti, que é representada nas garrafas pelo Gallo Nero.

Símbolo do Gallo Nero

Símbolo do Gallo Nero. Fonte: Associação Italiana de Sommelier.

LEGISLAÇÃO: CONSORZIO VINO CHIANTI

Legislação e vinho? Calma, isso é muito mais comum do que você imagina! Vamos te explicar direitinho o por quê o Consorzio Vino Chianti é tão importante para a bebida e quais as funções que ele realiza: 

No ano de 1927 o Consorzio Vino Chianti foi instituído como uma iniciativa de um grupo de viticultores das províncias de Florença, Siena, Arezzo e Pistoia

A partir daí, inúmeras mudanças ocorreram: a área de produção que foi inicialmente definida pelo Decreto Ministerial de 1932 foi alterada várias vezes, inclusive por meio de um Decreto do Presidente da República de 9 de agosto de 1967, no qual foram incluídos territórios vizinhos situados nas províncias de Arezzo, Florença, Pisa, Pistoia e Siena. 

Somente no ano de 1984 é que esse grupo de produtores conseguiram criar as condições ideais para que o vinho Chianti se tornasse oficialmente um DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), por meio do Decreto do Presidente da República de 02 de julho de 1984.

Nas palavras do próprio Consorzio Vino Chianti: “atualmente 3.000 produtores que envolvem mais de 15.500 hectares de vinhedos que produzem 800.000 hectolitros de Chianti das várias regiões e tipos”.

Certo, mas quais são as principais funções desse grupo? Essas associações são muito comuns no mundo do vinho, e há diversos países ou regiões que têm um consórcio com regulamentações, regras e definições que literalmente protegem um determinado terroir – e com Chianti não seria diferente. 

Também nas palavras do próprio Consorzio Vino Chianti, dentre suas funções, estão: “(…) a proteção, promoção, valorização, informação ao consumidor e cuidados gerais dos interesses relativos à DOCG “Chianti” pelo Decreto do Ministério da Agricultura, Alimentação e Florestas de 03 de Setembro de 2012, renovado pelo Decreto Ministerial n°62147 de 17/09/2015.”

Basicamente, o Consorzio trabalha para valorizar e promover a denominação de Chianti por meio de iniciativas que atuam tanto dentro da Itália como no exterior, com intuito de aumentar a percepção dos entusiastas do vinho em relação à bebida e até mesmo a apreciação do líquido. O grupo também define os períodos de crescimento ou desaceleração desse mercado e tudo o que for necessário para uma gestão adequada, de acordo com as necessidades de produção, dos produtores e do mercado de vinhos. 

Dentro de todas essas funções, também existe uma regra extremamente importante para a elaboração dos vinhos: um Chianti é produzido a partir da uva Sangiovese, que deve compor no mínimo 70% do vinho. Outras variedades, como Cabernet Sauvignon ou Cabernet Franc não poderão exceder o limite de 15% em conjunto, enquanto uvas brancas (cada vez menos comuns neste corte), não podem ultrapassar o limite de 10% do vinho. 

“O Consórcio realiza o controle da denominação durante a comercialização do produto. Mediante controladores específicos, recolhe no mercado, de acordo com planos de controle precisos e aprovados pelo Ministério, amostras de vinhos Chianti DOCG para verificar, no interesse dos produtores e para garantia dos consumidores, se o produto contido nas embalagens corresponde às exigências previstas do regulamento de produção.” – Consorzio Vino Chianti

Ufa! Agora ficou mais fácil entender por quê Chianti tem tanto gosto de Itália, não é mesmo? As rígidas regras de produção e o controle cuidadoso do consórcio garantem que todas as garrafas que chegam até você realmente entregam o melhor desse terroir e o mais verdadeiro Chianti.  

AS MICRORREGIÕES DE CHIANTI

Chianti é dividido entre duas grandes áreas: uma delas ocupa o miolo da Toscana, entre Siena e Florença, e é denominada de Chianti Classico. A outra parte, chamada apenas de Chianti, é distribuída em 7 microrregiões que ficam aos arredores de Chianti Classico – são elas: Colli Aretini, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Colline Pisane, Montalbano, Rufina e Montespertoli, como é possível perceber no mapa abaixo: 

Mapa da Toscana

Mapa da Toscana. Fonte: Wine Folly.

Essas microrregiões também possuem regras de produção específicas em seus terroirs e autonomia produtiva, que estão diretamente ligadas às condições climáticas do local e a maneira na qual o produtor vai elaborar a bebida, ambos os fatores que tornam os vinhos ainda mais típicos. 

CHIANTI COLLI ARETINI

Está localizado nas colinas que denominam o rio Arno, na província de Arezzo. Os vinhos elaborados aqui são conhecidos por uma boa estrutura, toques frutados, acidez significativa e coloração vermelho-rubi intenso. É indicado que esses vinhos sejam consumidos ainda jovens. 

De um modo geral, o terroir é semelhante ao restante de Chianti, com predominância de solos calcários clima mediterrâneo.

CHIANTI COLLI FIORENTINI

Denominação situada nas colinas que ficam aos arredores de Florença, também próximo ao rio Arno e ao Val di Pesa. Dentre algumas regras específicas dessa denominação, estão o fato de que o rendimento por hectare não poderá exceder 56 hectolitros de vinho, além de que as garrafas não podem ser comercializadas antes do mês de setembro do ano seguinte à colheita. 

As principais uvas dessa microrregião são a Sangiovese, Canaiolo e Malvasia. Para os vinhos elaborados aqui, espere encontrar um líquido equilibrado, consistente, intenso e tânico, com aromas que variam de frutas vermelhas com toques florais. 

Para entender melhor e explorar mais esse terroir, sugerimos degustar um Colli Fiorentini assinado pela vinícola Poggio Arioso, que além de fomentar o turismo agrícola da região, preza muito pela valorização de seu solo.

Botão para comprar o vinho Fattoria Poggio Arioso Chianti Colli Fiorentini DOCG 2013

*Sujeito a alteração de estoque.

CHIANTI COLLI SENESI

Esta é uma grande microrregião, que compreende Siena, Val d’Elsa, Val di Chiana, Val di Merse e Val d’Orcia. Além da clássica Sangiovese, que não pode ser inferior a 75% em um vinho, aqui também são autorizados o uso de uvas como Canaiolo Nero, Colorino e Ciliegiolo, além das uvas de origem francesa Cabernet Sauvignon e Merlot. 

Há quem diga que os vinhos elaborados na parte meridional desse terroir chegam a recordar o estilo da Sangiovese em vinhos como Nobile de Montepulciano e Brunello de Montalcino.

CHIANTI COLLINE PISANE

Os vinhos de Colline Pisane fazem jus ao nome: são produzidos nas colinas que ficam aos arredores de Casciana Terme, no sudeste de Pisa. São líquidos elegantes e delicados, que idealmente devem ser consumidos mais jovens.  Uma das regras específicas aqui é que o teor alcoólico mínimo seja de 11,5%.

CHIANTI MONTALBANO

A área de produção de Chianti Montalbano compreende as colinas de Montalbano, os municípios de Capraia e Limite, Carmignano, Lamporecchio, Larciano, Quarrata, Serravalle Pistoiese e Vinci, o que totaliza cerca de 500 hectares de vinhedos. Aqui, as uvas permitidas são Sangiovese, Canaiolo, Trebbiano Toscano e Malvasia.

A qualidade dos vinhos Chianti Montalbano é conhecida desde o final do século XIII, quando os vinhos chegavam até os bispos de Pistoia em forma de tributo.

As versões Riserva deste Chianti devem envelhecer por no mínimo dois anos, dos quais três meses são em garrafa. Apesar de produzir um vinho que participou de antigas tradições e possui um sabor refinado e intenso, Montalbano possui menos de 200 produtores, contribuindo com cerca de 25.000 hectolitros ao ano de DOCG.

CHIANTI MONTESPERTOLI

Graças à peculiaridade do terroir, a área de Montespertoli produz vinhos e Vinsanto de alta qualidade. Vinsanto Chianti Montespertoli é um estilo de vinho de sobremesa tradicional na Toscana, extremamente frutado, fresco e agradável no paladar, geralmente feito a partir de uvas brancas como Trebbiano e Malvasia.

Para as versões Riserva de Montespertoli, assim como em Chianti Montalbano, é preciso que a bebida seja envelhecida por pelo menos dois anos, dos quais três meses são em garrafa.

CHIANTI RUFINA

Chianti Rufina recebeu a Denominação de Origem Controlada (DOC) no ano de 1967 e, em 1984, a Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG). Sua área de produção está localizada na província de Florença, a cerca de 20km de distância da capital, e é dividida nos municípios de Pontassieve, Rufina, Londa, Pelago e Dicomano, próximo aos Apeninos.

Aqui, as uvas possuem diversas épocas de maturação, sofrendo uma diferença térmica significativa entre o dia e a noite. Os Chianti Rufina são vinhos elegantes, complexos, tânicos, com acidez marcante e um leque de aromas que variam entre frutas silvestres e especiarias, com ótima capacidade de envelhecimento.

CHIANTI CLASSICO

IMPORTANTE: antes de conhecer Chianti Classico, é preciso ter em mente que no campo enológico, ou seja, no que diz respeito ao mundo do vinho propriamente dito, existem dois termos distintos, que são “Chianti” e “Chianti Classico” – afinal, estamos falando de duas denominações completamente diferentes entre si, que possuem, inclusive, regras próprias. Agora, em relação ao ponto de vista histórico-geográfico existe somente o termo “Chianti”. 

Chianti Classico tornou-se uma Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) independente no ano de 1996, possuindo cerca de 7.200 hectares. Para entender melhor tudo o que aconteceu com esse terroir até o que conhecemos hoje em dia, confira esta breve linha do tempo:

  • 1716: Cosimo III, Grão-duque da Toscana, delimitou oficialmente a zona de produção do vinho Chianti.
  • 1921: Criação do Consórcio para a Proteção do Vinho Chianti e sua Marca de Origem; a marca escolhida é Black Rooster.
  • 1932: O adjetivo “Classico” é adicionado por decreto ministerial para distinguir o Chianti original do vinho feito fora do território delimitado em 1716.
  • 1984: Chianti Classico obtém o estatuto DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), o maior reconhecimento dos vinhos italianos premium.
  • 1996: Chianti Classico torna-se um DOCG independente de Chianti DOCG.
  • 2010: Uma mudança na lei italiana proíbe a produção de vinho Chianti na zona de produção de Chianti Classico.
  • 2013: A assembleia dos membros do Consorzio Vino Chianti Classico aprova um conjunto de alterações aos regulamentos de produção que conduzem a uma autêntica renovação da denominação. Nasce a Gran Selezione.

Como é possível perceber com o passar dos anos, Chianti Classico já era um vinho Chianti desde 1932, porém, era feito fora do território delimitado. A qualidade e o destaque dos vinhos produzidos em Chianti Classico também foram um dos pontapés iniciais para a criação dessa Denominação de Origem. 

É importante ressaltar que essa região também possui um consórcio próprio, assim como o Consorzio Vino Chianti. Desde sua criação, o Consorzio Vino Chianti Classico protege, fiscaliza e valoriza essa região, além de levar o símbolo do Gallo Nero como marca histórica de seus rótulos.

A evolução do símbolo Gallo Nero

A evolução do símbolo Gallo Nero. Fonte: Montefioralle

A evolução do símbolo do Consorzio Vino Chianti Classico. Fonte: Montefioralle

O consórcio do Chianti Classico representa hoje mais de 90% da produção da denominação de origem, além de ser uma das principais organizações institucionais que representam tanto a Itália quanto a União Europeia no que diz respeito ao setor vitivinícola.

Assim como em Chianti, aqui, toda a cadeia de produção, desde a viticultura até o engarrafamento do vinho, é inspecionada por um sistema de rastreamento cujos dados são inseridos em um banco de dados público, assim, os consumidores do mundo inteiro podem conferir e verificar a garrafa de Chianti Classico que adquiriram. 

Chianti Classico é dividido em três categorias:

  • Rosso: amadurece no mínimo 12 meses antes de ser comercializado.
  • Riserva: tem como regra o amadurecimento mínimo de 24 meses, incluindo 3 meses em garrafa. É considerado a máxima expressão da emblemática uva Sangiovese, geralmente de colheita tardia. É um vinho complexo e de boa estrutura e, no geral, de guarda. A passagem do líquido em barricas contribui para o leque de sabores e aromas, que vão de frutas vermelhas e pretas até violetas, com longo final. 
  • Gran Selezione: tem como regra o uso de uvas provenientes da vinícola, ou seja, como o nome já sugere, é a seleção das melhores uvas. Além disso, o vinho conta com o envelhecimento mínimo de 30 meses, incluindo 3 meses de envelhecimento em garrafa. Aqui, as regras técnicas e sensoriais são extremamente rígidas. 

As capitais desse território são Siena e Florença, que compartilham a denominação entre os dois municípios. Com cerca de 71.800 hectares, a área inclui os territórios dos municípios de Castellina in Chianti, Gaiole in Chianti, Greve in Chianti e Radda in Chianti e partes dos de Barberino Tavarnelle, Castelnuovo Berardenga, Poggibonsi, San Casciano Val por Pesa.

É realmente muita história para contar, não é mesmo? E, para ficar ainda mais claro todo o universo que Chianti tem a oferecer, uma das maiores referências mundiais no mundo do vinho, o site Wine Folly, criou esse Sistema de classificação de Vinhos Chianti, confira:

Sistema de classificação de Vinhos Chianti

Sistema de classificação de Vinhos Chianti. Fonte: Wine Folly.

SANGIOVESE: A RAINHA DOS VINHOS CHIANTI

Depois de entender melhor sobre o terroir, as denominações, a história e as lendas por trás de Chianti, chegou o tão esperado momento de falar sobre a grande protagonista dos vinhos: a uva Sangiovese.

Sangiovese é uma uva amplamente cultivada na Itália, considerada por muitos como uma joia da Toscana. Sua origem é incerta, mas há registros históricos que datam que no século XVI já havia produção dessa casta.

Estamos falando de uma uva que possui um tempo de cultivo longo, mas que pode ser produzida e se adaptar em diversas regiões, com tendência para se desenvolver melhor em ambientes mais quentes, com climas secos e solos calcários. Além da Itália, é possível encontrar a uva em países como Estados Unidos ou  Austrália.

Para a produção dos vinhos Chianti, Sangiovese é a uva que predomina praticamente todas as garrafas, entregando aromas frutados, sabor levemente picante e acidez marcante. Como vimos antes, a depender da região e das regras de produção locais, também são utilizadas no corte a uva tinta Canaiolo, as uvas brancas Malvasia e Trebbiano, ou as uvas internacionais Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

DICA: uma vez que cada região de Chianti possui um método específico para originar os vinhos, é importante ter em mente que, para saber um pouco mais a respeito de algum Chianti é preciso analisar o que está escrito no rótulo da bebida após a palavra “Chianti”, assim, você saberá a procedência geográfica da uva.

Confira também: como ler rótulos de vinhos.

Uma curiosidade sobre a uva é que “Sangiovese” em latim é “sanguis jovis”, ou seja: sangue de Júpiter. Literalmente uma uva de outro planeta! 😉 

Brincadeiras à parte, você sabe quais são os pratos ideais para harmonizar esse querido vinho italiano?

HARMONIZANDO OS VINHOS CHIANTI

Quando o assunto é vinho e comida, é importante relembrar que a harmonização ideal é aquela que mais te agrada, combinado? Aqui, pretendemos apenas mostrar quais pratos e quais combinações devem deixar sua bebida e sua refeição ainda mais saborosas!

Esse ícone da Itália pode ser harmonizado com uma grande variedade de pratos: desde carnes vermelhas grelhadas até carne de caça, assados ou uma tábua de queijos envelhecidos.

Nitidamente os pratos típicos da culinária italiana se destacam e, dentre eles, sugerimos: 

  • Bisteca fiorentina
  • Lasanha à bolonhesa
  • Ravioli de carne ao molho branco
  • Pizza de mussarela
  • Arancino ou Arancina

Para aproximar a Itália do Brasil, também sugerimos alguns pratos da nossa rotina para você explorar nas degustações. Confira:

  • Bife acebolado com tiras de mandioca frita
  • Lombo de porco assado com legumes

Agora que você já sabe absolutamente tudo sobre o famoso e adorado vinho Chianti, que tal garantir o seu? Ah! E se é a sua primeira vez por aqui, aproveite o cupom DICASBLOG para ter 10% de desconto na sua primeira compra no meu app. Um brinde!