Espumante: o que é – descubra o universo por trás das bolhas!

Ao pensar em espumante logo pensamos em celebração: aniversário, ano novo, casamento… As borbulhas transmitem festividade! Apesar de tratarmos os espumantes de forma generalizada, há muitas nuances e diferenças entre as uvas e os métodos adotados em cada país. Mas antes de aprofundarmos no tema, vamos ao básico:

O que é espumante?

De acordo com a legislação brasileira, um vinho é considerado espumante quando contém gás carbônico proveniente exclusivamente da segunda fermentação do vinho, que pode acontecer dentro de uma garrafa (Método Tradicional) ou de um tanque (Charmat). O vinho normalmente deve ter graduação alcoólica entre 10% e 13% abv. e pelo menos 4 atm de pressão. São essas as principais características que diferenciam o vinho espumante do chamado vinho tranquilo, que é o vinho que costumamos encontrar com maior frequência – sem bolhas e que também não é fortificado.

Citamos brevemente os dois métodos mais conhecidos pelos quais obtemos as bolhas no vinho: o Tradicional e o Charmat. Cada método fornece diferentes características aromáticas e gustativas ao vinho final. Portanto, antes de falarmos de harmonizações, vamos entender um pouco mais do perfil dos vinhos resultantes desses processos mencionados e de alguns outros:

Métodos de Produção

O Método Tradicional também é conhecido como Champenoise, que como o nome já diz, é o método utilizado na produção de Champanhe. As uvas utilizadas são colhidas a mão e devem ter um teor de açúcar mais baixo do que para os vinhos tranquilos, podendo ser colhidas um pouco mais cedo em regiões mais quentes.

Essas uvas são fermentadas para obter um vinho seco, relativamente neutro em aromas e com alta acidez, chamado de vinho base. Feito isso, o produtor irá fazer um corte/blend, podendo utilizar uvas de vinhas diferentes, castas diferentes e até mesmo de safras variadas. O objetivo deste blend é elaborar o “estilo da casa” – repare que os vinhos de Champanhe costumam manter um padrão de um ano para o outro. Você conhece o vinho mais pelo nome da casa.

Tendo feito o corte, o vinho é engarrafado e adiciona-se uma mistura de açúcar e leveduras para que ocorra a 2ª fermentação dentro da própria garrafa. Nesta etapa, a garrafa é vedada com uma tampa de coroa que será retirada depois. Concluído o processo da segunda fermentação, as leveduras morrem e formam as borras e o vinho é deixado descansando por um período junto a elas. Esse processo é conhecido como autólise (no francês, o termo é sur lies). Após esse período o vinho passa por um processo chamado remuage (remuagem, em português) que consiste virar devagar as garrafas com a boca para baixo, assim as borras se assentam próximas ao gargalo, facilitando sua remoção. 

O processo de remoção chama-se dégorgement: o gargalo da garrafa é ultra resfriado e a tampa de coroa é retirada rapidamente sob pressão, depois adiciona-se o licor de expedição (que definirá o residual de açúcar final do vinho). Em seguida, veda-se a garrafa com a rolha e o muselet (a gaiola). O resultado é um espumante com notas leves de frutas cítricas, mas a particularidade deste processo está nas notas de pão, torrada, fermento, manteiga e nozes.

Antes de abordarmos o método Charmat, vamos falar de um método que é considerado um meio termo entre o Tradicional e o Charmat: é o método de transferência, neste processo o vinho tem sua fermentação dentro da garrafa como no tradicional e logo após a conclusão da fermentação o vinho é transferido para um tanque de inox sob pressão (para que as bolhas não se percam). No tanque o vinho é filtrado, removendo as borras. Depois adiciona-se o licor de expedição e o vinho é novamente engarrafado em garrafas limpas. 

Este método origina bons espumantes a um menor custo, pois o processo de remuage do método tradicional é bem custoso. Geralmente os vinhos feitos dessa forma apresentam no rótulo a indicação “fermentado em garrafa”.

O Método Charmat ou Tanque é relativamente parecido com o Tradicional, pois em ambos ocorrem 2 fermentações. Porém, nesse caso, a 2ª fermentação é feita em um tanque de inox, o que ajuda a preservar o caráter da fruta, além de permitir maior controle das temperaturas e facilitar a remoção das leveduras no final do processo. Aqui o vinho não fica descansando em contato com as borras, portanto, o resultado é um espumante mais frutado, com notas cítricas, de frutas brancas como maçã verde, pêra, pêssego branco e também notas de flores como jasmim.   

Segundo a legislação brasileira, para ser espumante o vinho deve passar por 2 fermentações. Entretanto, há outras formas de se obter as bolhas com apenas uma fermentação. O Método Asti é o mais utilizado para se  produzir o famoso espumante Moscatel! Este se difere dos anteriores, pois tem apenas uma fermentação alcoólica. O mosto da uva é colocado em um tanque inox pressurizado. 

Conforme a fermentação acontece, o CO2 fica retido no tanque selado, gerando as bolhas. Ao atingir uma graduação alcoólica entre 6% e 10% vol. alc., a temperatura é bruscamente baixada para que a fermentação seja interrompida. O resultado é o espumante que conhecemos, com baixa graduação alcoólica, açúcar residual (por conta da interrupção da fermentação) e aromas intensos de frutas como pêssego, nectarina, melão, lichia e flores.

O Método Ancestral é muito semelhante ao Método Asti, com apenas uma fermentação. Ele tem esse nome pois surgiu antes do Método Tradicional dos espumantes, foi o primeiro método usado para produzir bolhas no vinho. Neste método o vinho é engarrafado ainda durante a fermentação, assim, ele continua fermentando dentro da garrafa e o gás que fica se dissolve na bebida. Como parte do vinho fermenta antes de ser engarrafado, não há tanto gás preso, por isso as bolhas também são leves e delicadas. É normal que este vinho seja um pouco turvo, já que não passa pelo processo de filtração; além disso, o perfil deste vinho pode variar entre seco e meio seco, com corpo leve e acidez elevada.

O gás carbônico é um dos subprodutos naturais do processo de fermentação. Ao impedir que esse gás saia do recipiente de fermentação, ele fica junto com o líquido e se dissolve, formando as bolhas. Isso pode ser feito com duas fermentações ou apenas uma. Todo gás tende a se expandir, mesmo dissolvido no vinho, por isso temos pressão dentro da garrafa – a depender do método, com mais ou menos intensidade.

Agora que você sabe como é feito um espumante, e considerando o nome de um deles (Champenoise), a principal dúvida é:

Qual  a diferença entre Champanhe e Espumante: o que será que muda?

Como falamos anteriormente, um vinho espumante pode ser obtido por alguns métodos.  Um deles, inclusive, leva o nome “Champenoise”, então, por que não é tudo Champanhe? Vamos por partes. Em primeiro lugar, Champanhe é o nome de uma região no noroeste da França. Foi lá que a bebida se desenvolveu e começou a ganhar fama. 

No final do século 19, a filoxera havia destruído todas as extensas plantações de Champanhe. Diante de uma catástrofe iminente, a Casa de Champanhe e os viticultores independentes uniram forças e em 1898 formaram a Associação Viticole Champenoise, que tinha como objetivo combater a filoxera e também realizar pesquisas e experimentações visando a melhora da produção. 

Conforme os vinhos de Champanhe ganhavam fama no mercado internacional, produtores de outros países não perderam tempo em começar sua produção e vender com o mesmo nome. Entretanto, as casas da região de Champanhe não ficaram nada contentes com isso e começaram a reivindicar a exclusividade do nome.

Após as ações judiciais vencidas pelas Casas de Champanhe no século 19, o nome foi reservado exclusivamente para vinhos colhidos e produzidos nessa região. Mas, a essa altura, os limites da área de produção ainda não eram muito precisos. Diante de fraudes crescentes, a Federação dos Sindicatos de Champanhe (Fédération de syndicats, formada em 1904) exigiu a demarcação das vinhas de Champanhe.  Em 22 de julho de 1927, uma lei foi aprovada definindo a zona de produção e as primeiras regras de controle de qualidade. Foi aqui também que ficaram definidas as variedades de uva autorizadas: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier são as principais, há algumas outras que também autorizadas, mas que são pouco utilizadas.

Apesar disso, foi apenas alguns anos depois, em 1936, que foi oficialmente criada a Denominação de Origem – em francês Appellation d’Origine Controlée (AOC) – definindo regras e padrões mais rígidos. Dessa forma, hoje só podemos chamar de champanhe o vinho espumante feito nessa região, por meio do Método Tradicional e que atenda as especificações de envelhecimento de ao menos 15 meses sur lies. Um vinho espumante feito da mesma forma, com as mesmas uvas e seguindo as mesmas regras, mas em outro lugar, mesmo que dentro da França, não pode ser chamado de Champanhe.

Se você quer conhecer esse vinho de fama internacional, sugerimos o Champagne Nicolas Feuillatte Brut

*Sujeito a alteração de estoque

Qual a diferença entre espumante e frisante? Por lei, o vinho frisante deve conter teor alcoólico de 7% a 14% abv. e uma pressão atmosférica mínima de 1,1 a 2. O vinho frisante pode ser natural ou gaseificado artificialmente.

E  vinho gaseificado? O vinho gaseificado é feito por um processo chamado de carbonatação, no qual é adicionado anidrido carbônico puro, por qualquer processo, em um vinho tranquilo que depois é engarrafado sob pressão. Estes vinhos devem apresentar um teor alcoólico de 7% a 14% em volume, e uma pressão atmosférica mínima de 2,1 a 3,9.

Como decifrar um rótulo de espumante?

Há alguns termos nos rótulos que podem te ajudar a identificar melhor o estilo de cada espumante. Como explicamos, o vinho passa por 2 fermentações completas, o que resulta em um vinho final bem seco. A partir disso, o produtor decide se vai manter o vinho seco ou se vai adicionar alguma dosagem do licor de expedição para ajustar o nível de açúcar. No que diz respeito a residual de açúcar, temos a seguinte classificação:

Brut Nature: nenhuma dosagem adicional! 0 a 0,3%/ 0 a 3g de açúcar por litro

Extra Brut: 0 a 0,6%/ 0 a 6g de açúcar por litro

Brut: 0 a 1,2%/ 0 a 12g de açúcar por litro

Extra-sec: entre 1,2 e 1,7% /12 a 17g de açúcar por litro

Sec: entre 1,7 e 3,2%/ 17 a 32g de açúcar por litro

Demi-Sec: entre 3,2 e 5%/ 32 a 50g de açúcar por litro

Doux: mais de 5%/ mais de 50g de açúcar por litro

E espumante tem safra? Em geral, os espumantes não costumam apresentar a safra (o ano) no rótulo. Isso porque, como comentamos na parte de métodos, os produtores buscam consistência entre um ano e outro misturando vinhos de diferentes anos. Portanto, devido à misturas de safras, não há como colocar um ano no rótulo. Você pode encontrar as letras NV, que significam Non-Vintage (tradução: sem safra).

Contudo, em anos excepcionais  os produtores podem optar por elaborar um vinho unicamente com as uvas daquela colheita. Nesse caso, os vinhos são chamados de millésime e o ano consta no rótulo. Esses vinhos costumam ter um preço superior aos sem safras, dado que a produção é significativamente menor.

Outros termos que você pode se deparar são:

  • Blanc de Blancs: é um vinho espumante branco feito apenas com uvas brancas.
  • Blanc de Noirs: é um vinho espumante branco feito apenas com uvas tintas! Sim, afinal de contas a cor está na casca das uvas, a polpa, que é de onde vem o suco do mosto é incolor.
  • Prestige Cuvée: termo que designa o espumante ícone da casa, este espumante é o ponto de referência para as demais linhas produzidas. São feitos com as melhores uvas da colheita e podem ou não conter a indicação de safra, valendo a mesma regra explicada acima. Esses vinhos tendem a se apresentar um tanto austeros assim que saem no mercado, portanto podem ser guardados por alguns anos. Essa é uma categoria que atinge preços superiores.

 

CURIOSIDADE: a primeira casa de Champanhe a elaborar um Prestige Cuvée foi a Louis Roederer, a pedido do Czar Alexandre II que queria um vinho especial e único. A garrafa escolhida era transparente e exclusiva para o Czar, hoje essa garrafa é praticamente a marca registrada do Champanhe Louis Roederer Cristal.

Sabendo das particularidades de cada vinho, qual a melhor forma de tomá-los e com o que harmonizar?

Degustação e Harmonização do Espumante

Antes de mais nada, vamos esclarecer um ponto muito importante: espumante pode ser tomado em qualquer momento! Sim, apesar de associarmos a bebida a celebrações, festas e dias quentes, não há uma regra dizendo que devemos limitar o consumo a essas ocasiões. Muito ao contrário do que se pode pensar, o espumante é muito versátil e atende a uma diversidade de pratos maior do que muitos vinhos tintos e brancos.

Começamos então pela taça: a recomendação é utilizar a taça flute, que é a mais estreita e longa. Esse formato permite que as bolhas não se dispersem tão rapidamente, além de concentrar os aromas. Outro formato de taça recomendado é chamado de tulipa, que também é alongado mas possui uma abertura mais larga.

Recomenda-se que os espumantes sejam servidos a uma temperatura em torno de 6-8ºC. Tenha cuidado ao abrir a garrafa! Há muita pressão contida lá dentro e pode machucar caso a rolha saia e acerte alguém. O ideal é sempre segurar a rolha. Para saber como abrir um espumante de forma segura assista ao vídeo:

Além disso, ao servir, procure despejar o vinho lentamente pela lateral da taça, evitando despejar no centro e agitar as bolhas. Dessa forma você evita que o vinho transborde e preserva as bolhas.

A análise sensorial do espumante é praticamente a mesma de qualquer outro vinho. A diferença é que aqui temos as bolhas, também chamadas de perlage. O termo vem do francês e remete a pérolas (referência às bolhas). Na boca, essas bolhas podem se apresentar de forma intensa, áspera, delicada ou cremosa. Os vinhos feitos pelo método tradicional e que ficam um tempo em contato com as borras tendem a apresentar uma textura mais cremosa. Alguns espumantes de guarda, feitos para envelhecer, perdem a perlage ao longo do tempo, já que as bolhas continuam a se dissolver no líquido. Caso seja um vinho espumante jovem e sem perlage, pode ser um defeito.

O que combina com espumante?

Por conta da acidez elevada e da presença de gás carbônico, os espumantes são perfeitos para harmonizar com vários pratos! Inclusive, é um dos vinhos mais versáteis, com o qual é possível ter uma refeição completa, da entrada à sobremesa, acompanhada apenas com espumante.

Para começar, por ser uma bebida leve e fresca, os espumantes são ótimos para acompanhar saladas, frutos do mar, queijos de massa mole como o brie, brusquetas e canapés. Os espumantes feitos pelo método charmat são ideais aqui por serem mais leves e frutados. Experimente nosso 958 Santero POP Art Extra Dry 2017:

*Sujeito a alteração de estoque

O gás carbônico e a alta acidez deste vinho fazem dele a pedida ideal para acompanhar pratos gordurosos como pasteizinhos, mandioca frita, risotos e massas com molho a base de queijo. No caso de carnes brancas não tem erro: pode ser um prato com peixe ou frango, inclusive espumante com frango frito é uma combinação que vale a pena conhecer, o famoso Birds&Bubbles. Para esses pratos nossa sugestão é o Edoné Cuvée de María Extra Brut:

*Sujeito a alteração de estoque

A comida japonesa tende a harmonizar muito bem com espumantes, principalmente quando falamos de sushis e sashimis; também combinam com preparações mais elaboradas. A acidez do espumante ressalta o sabor dos peixes e contrabalança o adocicado do arroz. Dê preferência a espumantes com boa estrutura, principalmente secos. Recomendamos o Don Giovanni Nature:

*Sujeito a alteração de estoque

Ao pensar nas sobremesas recomenda-se os espumantes com maior açúcar residual ou mesmo os espumantes Moscatel. Aqui podemos pensar em combinar com frutas in natura, mousse de frutas, merengue e sobremesas a base de creme branco. Doces com chocolate branco podem funcionar, entretanto o chocolate escuro não costuma harmonizar por conta do tanino e do amargor presente, mesmo nas versões ao leite. Para estes pratos sugerimos o Maison Castel Cuvée Blanche Ice Limited Edition:

*Sujeito a alteração de estoque

Depois de entender sobre as características dos vinhos espumantes obtidos por diferentes processos e ver algumas sugestões de como apreciá-los já dá vontade de pegar uma garrafa! Mas ainda pode ter ficado algumas dúvidas, vamos te ajudar! A ideia é que depois deste artigo você fique mais à vontade para escolher sua bebida sem receios. Então vamos lá:

Explicamos que Champanhe só é feito na região de mesmo nome e agora você acaba de ver várias dicas de espumantes para combinar com alguns pratos. E você pode ter se perguntado: porque não colocamos um vinho de Champanhe entre as harmonizações? É justamente para mostrar que os espumantes de outras regiões podem ser tão bons e complexos quanto os produzidos em Champanhe! Por isso, vamos abordar algumas denominações que também são muito famosas neste universo das bolhas:

Tipos de Espumante

Ainda falando de espumante na França, temos os famosos Crémant. Entre as regras gerais para esse estilo podemos ressaltar que a colheita das uvas também deve ser manual; o vinho deve ser elaborado exclusivamente pelo Método Tradicional e permanecer por um período mínimo de 9 meses sobre as borras. Além disso, o vinho deve atingir um mínimo de 13% de álcool e 4 atm de pressão. As uvas autorizadas dependem das regiões em que o vinho é feito. Existem 8 denominações que produzem esse espumante:

  • Crémant d’Alsace: são muito populares dentro da França e a maior parte da produção é consumida localmente. A casta mais utilizada é a Pinot Blanc, mas também é permitido utilizar Chardonnay, Pinot Gris, Riesling, Pinot Noir e Auxerrois. O Crémant rosé deve ser feito exclusivamente com Pinot Noir.
  • Crémant de Bourgogne: a região da Borgonha é muito próxima de Champanhe, por tanto a certa similaridade de clima, solo e castas utilizadas, porém para este Crémant, além das uvas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier também é autorizado o uso de castas como a Aligoté e Sacy. Na versão rosé é permitido usar uma pequena porcentagem de Gamay.
  • Crémant de Die (Rhône): este espumante, dificílimo de encontrar fora da França, normalmente é feito na versão seca com as uvas Clairette, Muscat e Aligoté.
  • Crémant de Bordeaux: a produção desses espumantes é relativamente pequena, por isso é difícil de encontrar fora da região. Os vinhos brancos podem ser feitos com a Sauvignon Blanc, Sémillon, Muscadelle e Ugni Blanc, enquanto que os rosés podem ser feitos a partir de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec, Petit Verdot e Carménère.
  • Crémant du Jura: a denominação de origem foi estabelecida em 1995 e representa mais de ¼ da produção de vinhos da região. 90% dos espumantes são brancos, mas podem utilizar castas brancas e tintas, entre elas: Chardonnay, Savagnin, Pinot Noir, Trousseau e Poulsard.
  • Crémant de Limoux: essa denominação está localizada na região de Languedoc-Roussillon. O vinho pode ser feito com Chardonnay, Chenin Blanc, Mauzac e Pinot Noir. O envelhecimento mínimo deve ser de 12 meses. 

CURIOSIDADE: foi na região de Limoux que o espumante foi descoberto! A história de que Dom Pérignon descobriu as bolhas é um mito. Foram os monges de Saint Hilaire, na região de Languedoc, que descobriram esse vinho no ano de 1500, aproximadamente 150 anos antes de Dom Pérignon. A denominação Blanquette de Limoux possui o vinho espumante mais antigo do mundo. O vinho é feito com 90% de Mauzac e 10% pode ser Chardonnay e Chenin Blanc.

  • Crémant de Loire: no vale do Loire o Crémant precisa passar um período mínimo de 12 meses em contato com as borras. Esses espumantes podem ser feitos com Chardonnay, Chenin Blanc, Cabernet Franc e com a variedade local Groullau. Na sub região de Anjou-Saumur as versões doces são feitas exclusivamente com a uva Chenin Blanc afetada pela Botrytis
  • Crémant de Savoie: é a mais recente denominação de espumantes franceses, oficializada em 2016. Atualmente só é permitido elaborar a versão branca com um mínimo 40% da casta local Jacquère, sendo também autorizado o uso da Altesse.

Na Itália também temos algumas denominações de destaque. A mais conhecida aqui no Brasil é Prosecco. A denominação fica localizada na região do Vêneto e foi oficializada no final da década de 1960. A sub-região de Conegliano Valdobbiadene recebe o status de DOCG. Esse espumante é feito tradicionalmente com a uva Glera, utilizando o método Charmat. Nas décadas de 1980 e 1990, o Prosecco atingiu tamanha popularidade que aqui no Brasil a uva Glera era chamada de Prosecco. Não só isso, mas a produção de vinhos nesse estilo aqui no Brasil é muito apreciada, caso queira conhecer um no estilo nacional sugerimos o Cainelli Espumante Prosecco Brut:

*Sujeito a alteração de estoque

Existe também a região italiana de Franciacorta, localizada na Lombardia. A região recebeu o certificado de DOC em 1967 e em 1995 os espumantes passaram a receber o status de DOCG. Aqui, os espumantes produzidos são tão conceituados quanto Champanhe. O vinho deve ser feito pelo método Tradicional com as castas Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Blanc. Além disso, em Franciacorta encontramos excelentes vinhos tintos e brancos, que recebem a designação “Terre di Franciacorta”. Na região vizinha, no Piemonte, também temos a produção dos espumantes Asti, que podem ser feitos pelo método de mesmo nome (falamos anteriormente) como também pelo método Tradicional.

Na Espanha, a denominação mais conhecida é Cava D.O.. Esta é uma denominação singular pois abrange várias áreas diferentes não contínuas; entretanto a maior parte da produção é concentrada na região de Penedès, na Catalunya. Você também pode encontrar Cava produzida em Navarra, Rioja e Valencia. Esse espumante também deve ser feito pelo método Tradicional e geralmente é feito em estilos mais secos, como Nature e Brut; é muito difícil encontrar Cava no estilo doce. Algumas castas são autorizadas, com destaque para as 3 brancas regionais: Macabeo, Xarel-lo e Parellada. A Macabeo é mais utilizada delas e apresenta aromas florais de frutas cítricas e amêndoas. Além dessas, também é permitido utilizar a Chardonnay, Pinot Noir, Garnacha e Monastrell – sendo as últimas 3 variedade tintas normalmente usadas para a produção de rosés. Em breve teremos Cava, mas para matar a sede até lá, recomendamos um espumante espanhol, o Gran Delmio Gran Selección Brut Cuvée:

*Sujeito a alteração de estoque

Na Alemanha temos o Sekt, que diferentemente de Champanhe, não é uma denominação protegida. Na verdade, a palavra sket é a tradução de espumante na língua germânica. Os vinhos designados apenas como Sekt são mais genéricos e podem ser feitos com uma diversidade de uvas; a principal casta utilizada para produzir esses espumantes é a Riesling, mas também é permitido utilizar Pinot Gris, Pinot Blanc, Chardonnay, Pinot Noir. Na hierarquia dos termos Sekt é o mais genérico de todos; acima dele temos o German Sekt, feito pelo método charmat; logo após temos o Sekt b.A, que pode ser feito em uma das 13 regiões oficiais de vinhos alemães, como por exemplo Rheingau, Mosel e Pfalz., etc.), esse vinho pode ser feito tanto pelo método Tradicional quanto pelo Charmat. 

No topo da categoria temos o Winzer Sekt, que são feitos pelo método Tradicional e geralmente com a casta Riesling, é possível encontrar a versão rosé feita com a Pinot Noir. Nesta categoria as regras são mais rígidas. Se você ainda não conhece espumante alemão não deixe de conferir o Chanceux, apesar do nome parecer francês ele é feito na região do Mosel: 

*Sujeito a alteração de estoque

Saindo da Europa, não podemos deixar de falar dos nossos queridos espumantes nacionais. O Brasil tem ganhado reputação internacional com a produção de espumantes! A região com maior destaque é Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul. Ainda não temos uma denominação específica para a produção de espumantes, mas isso nos permite explorar uma boa diversidade de estilos. Citamos algumas opções de espumantes nacionais anteriormente, mas se você quer uma forma totalmente moderna e prática para beber seu vinho, conheça Vibra! Frisante:

*Sujeito a alteração de estoque

Por fim, não poderíamos deixar faltar a história do icônico Champanhe, que há séculos continua conquistando paladares, sempre associado ao luxo, realeza e celebração:

História do Champanhe

A história do Champanhe conta algumas descobertas feitas por grandes nomes! Começamos contando um pouco do porquê a bebida é associada ao luxo e a realeza: tudo começou quando o Clóvis, o Rei dos Francos, declarou guerra com o objetivo de juntar todas as tribos que se encontravam na região. Ao fazer isso, o rei pediu para que o Bispo Remi, líder espiritual de Reims, que é a principal cidade de Champanhe, garantisse sua vitória. 

O bispo abençoou um barril de vinho e disse que, enquanto houvesse vinho ali, o rei seria vitorioso. A vitória veio e, depois disso, a cidade de Reims se tornou muito importante politicamente. Mais de 27 reis foram coroados na Catedral de Reims e, assim, o vinho de Champanhe ficou associado à realeza. Entretanto, nesse período o Champanhe ainda não era a bebida que conhecemos hoje. Algumas coisas aconteceram no caminho até chegarmos ao estilo que estamos acostumados.

Até meados de 1600, conseguir um vinho espumante era uma loteria. Ainda não entendia-se muito bem como as bolhas se desenvolviam no vinho e nem como controlar o processo. A primeira casa de Champanhe foi criada no século 16, mas na época a produção era de vinho tranquilo. A primeira casa a fazer apenas espumante foi a Ruinart, que surgiu em torno de 1730 – e foi nessa época também que o vinho começou a ser comercializado em garrafa, pois até então eles eram vendidos direto do barril.

A descoberta científica de como se obter as bolhas foi consolidada no final do século 17 e início do século 18. A partir disso a técnica começou a ser aperfeiçoada. e, já no século 20, o Champanhe era a bebida símbolo da Belle Époque.

Envolvidos com o aperfeiçoamento da bebida e suas técnicas de produção, temos nomes de destaque: Dom Pérignon, Veuve Clicquot e Madame Pommery. Em momentos distintos da história e em etapas diferentes, essas 3 pessoas deixaram seu legado e contribuíram para a construção do Champanhe de fama internacional.

Um fator que dificultava a vida dos produtores de espumante era a resistência da garrafa de vidro. Era muito comum que elas explodissem por conta da pressão interna da bebida. No século 17, os ingleses buscavam se consolidar como potência marítima, por isso o uso de madeira foi canalizado para a produção de barcos; os ingleses também eram os maiores fabricantes de vidro e sem poder utilizar madeira para o forno do vidro, passaram a usar carvão como combustível. O carvão permitia o alcance de temperaturas mais altas que, consequentemente, formavam um vidro mais resistente. 

Dom Pérignon foi um dos primeiros a perceber a importância do vidro inglês. Este vidro suportava até 6 atm de pressão. Apesar de ter reconhecido este fato, o legado de Dom Pérignon está relacionado a elaboração do corte, no francês chamado de cuvée (não confunda com o Prestige Cuvée explicado anteriormente) de diferentes variedades das tradicionais variedades de uva: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier. 

À Barbe-Nicole Ponsardin – (Veuve Clicquot) é responsável por três grandes realizações na indústria do Champanhe: em primeiro lugar ela foi responsável pela internacionalização do mercado. Depois de inúmeras tentativas infrutíferas de venda,  Barbe-Nicole saiu na frente se seus concorrentes e conquistou o mercado russo. Em seguida, podemos dizer que ela foi a primeira a estabelecer uma identificação de marca em seus vinhos. A safra de 1811 foi excepcionalmente boa e os vinhos foram enviados para fora já engarrafados e vedados com uma rolha contendo um cometa gravado no topo. Nesta época ainda era comum exportar o vinho em barris para facilitar o transporte. 

A terceira realização é a mais relevante no processo produtivo e definitivamente consolidou o legado de Barbe-Nicole: ela desenvolveu o processo de remuage, uma forma eficaz de clarificar o vinho e retirar as leveduras mortas de dentro da garrafa. Sem esse processo talvez o champanhe não ficasse famoso no mundo. No decorrer da criação desse processo, Barbe-Nicole acabou inventando também as prateleiras inclinadas, chamadas pupitres, nas quais a garrafa vai sendo virada até ficar com o gargalo para baixo. Por quase uma década isso permaneceu como segredo de seus concorrentes e os vinhos da Veuve Clicquot continuavam ganhando mercado.

Até meados do século 19 os Champanhes eram feitos, em via de regra, no estilo mais doce (Doux); essa era a versão apreciada pelo maior mercado da época, a Rússia. Entretanto, no final deste século, surgiu uma nova abertura de mercado, a Inglaterra. Os inglês, contudo, preferiam o Champanhe no estilo seco; assim como o regente da França, Napoleão III. Foi aí que Jeanne Alexandrine Pommery (Madame Pommery) viu uma oportunidade e agarrou-se a ela: começou a produzir Champanhe Brut e conquistou o mercado inglês e, logo depois, todos os demais apreciadores. Assim, chegamos ao Champanhe como conhecemos e tanto gostamos.

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