Descubra o vinho do Porto: saiba tudo sobre sua história, produção e harmonização!

Muito apreciado ao redor do mundo, o vinho do Porto conquistou um lugar especial no coração e na mesa dos brasileiros. Mas, apesar de muito conhecido, será que todo mundo sabe a diferença entre seus estilos? Qual a melhor forma de consumi-lo? Vem com a gente e fique por dentro das maravilhas que o Porto tem a oferecer.

O que é vinho do Porto?

De forma muito resumida podemos dizer que o vinho do Porto é um vinho fortificado, ou seja, que teve a adição de aguardente vínica na sua composição. Também podemos chamá-lo de vinho licoroso, por conta do alto teor de açúcar residual. Essas definições ficarão mais claras ao entender o processo de produção do vinho.

Como é feito o vinho do Porto?

As uvas utilizadas na produção do vinho do Porto são plantadas no Vale do Douro, no norte de Portugal. Aqui a paisagem é um pouco mais seca e austera quando comparada à região vizinha de Vinho Verde e o clima é classificado como continental e moderadamente quente, mas com poucas chuvas. O solo é basicamente composto de xisto e sua fragmentação permite que as raízes das videiras se aprofundem e alcancem reservas de água um pouco abaixo do solo.

Dentro da mesma delimitação geográfica temos duas Denominações de Origem: Porto DOC, que produz vinhos fortificados, e Douro DOC, que produz vinhos secos.

Por conta da topografia montanhosa, as margens do rio Douro são muito íngremes e, por isso, as vinhas são plantadas em terraços. Entre as castas temos as tintas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional e Tinta Cão; e as brancas: Sercial, Folgazão, Verdelho, Malvasia, Rabigato, Viosinho e Gouveio. Em via de regra, os vinhos são um blend entre as castas.

Uma vez que o vinho em fermentação tenha atingido um teor alcoólico entre 5% e 9%, restando ainda um alto nível de açúcar residual da própria uva, o produtor interrompe o processo com a adição de cerca de 20% da quantidade de vinho de aguardente vínica. A fortificação, então, mata as leveduras que fazem a fermentação, criando um vinho doce e de elevado teor alcoólico, entre 19% e 22%. O próximo passo é deixar o vinho envelhecer em barris de carvalho ou em tanques de inox.

Quais são os estilos de vinho do POrto?

Os vinhos do Porto podem ser produzidos como tinto, branco ou até mesmo rosé. Os tintos são os mais conhecidos no mercado; feitos com uvas tintas, são sempre doces, podendo variar o grau de doçura; são vinhos intensos e vibrantes, que enchem o paladar. Os brancos, por sua vez, são feitos com uvas exclusivamente brancas; devem passar por um período, mesmo que curto, em madeira e podem ser feitos como seco, meio seco ou doce.  O rosé é uma categoria que começou a ser produzida recentemente, em geral, são mais frescos e frutados que os outros estilos. 

A produção de brancos e rosés é muito pequena, sendo que a grande maioria da produção de vinho do Porto é de vinhos tintos. Esses são divididos em duas famílias:

Porto Ruby

O vinho do Porto Ruby é um vinho com uma intensa coloração rubi – e por isso esse nome. Esse é um estilo de vinho mais jovem, que tem em média 3 anos de idade – decorrente da mistura de diferentes safras, por isso não se constata ano no rótulo.

O propósito do estilo Ruby é ter um caráter de frutas. Por conta disso, os produtores procuram minimizar o tempo de envelhecimento e o contato do vinho com o oxigênio durante esse processo.

Os aromas são de frutas negras (ameixa, cassis e amora), frutas vermelhas em geleia (cereja, morango e framboesa) e especiarias (canela, cravo e baunilha). O Porto Ruby é intenso e conserva sua estrutura tânica, perceptível em boca.

Seguindo a hierarquia das nomenclaturas, temos o Porto Ruby Reserva, uma categoria igualmente jovem que resulta de um blend entre os melhores vinhos do Porto Ruby. Para receber essa classificação, o vinho deve ser submetido a um painel oficial de degustação.

 A categoria chamada Late Bottled Vintage (LBV) corresponde a vinhos de um só ano (uma safra) que foram envelhecidos entre 4 e 6 anos, normalmente em barris de madeira. São vinhos de elevada qualidade e que saem no mercado prontos para consumo, sendo que alguns exemplares podem ser guardados por alguns anos.

Na sequência, temos o emblemático vinho do Porto Vintage, sonho de consumo de muitos. Muito raro de se encontrar, este vinho é produzido apenas em safras excepcionais; em média, são produzidos apenas 3 a cada 10 anos. Um produtor também pode produzir um Porto Vintage Single Quinta, cujos vinhos devem proceder de uma única propriedade (Quinta). 

O engarrafamento da categoria Vintage deve ocorrer de 2 a 3 anos após a colheita; os vinhos são os mais tânicos e encorpados lançados no mercado. O encantamento com este estilo está justamente no fato de que ele pode ser consumido assim que lançado no mercado – ainda jovem, com coloração rubi e aromas de frutas negras – ou após décadas de envelhecimento – com coloração granada e aromas de frutas secas. 

Ainda mais raro de se encontrar, temos o Porto Crusted, que consiste em um blend entre diferentes Vintages colocados para envelhecer em grandes barris de carvalho por um período de 3 a 4 anos. Estes vinhos não são filtrados e só saem para venda 3 anos depois de serem engarrafados. 

Por não ser filtrado, o vinho acumula  um depósito de borras no fundo da garrafa e, por isso, precisa ser decantado antes de servir. Inclusive, o nome do vinho “Crusted” quer dizer exatamente isso: “com borras”. Este é um estilo com grande potencial de guarda.

Porto Tawny

Não se engane pela coloração na taça, pois o Porto Tawny também é um vinho tinto. Esse estilo de vinho do Porto, assim como o Ruby, tem em média 3 anos e também é uma mistura de safras. A diferença entre eles reside no fato de que o Tawny passa por um período curto de envelhecimento em madeira, com oxidação controlada, tornando sua cor castanha. Tawny poderia ser traduzido como “pardo” ou “âmbar”. Os aromas são de frutas secas, figo, nozes, café e cedro. 

O Porto Tawny Reserva é feito com os melhores vinhos de cada ano e necessita passar por um período mínimo de envelhecimento exigido por lei de 6 anos em barris de carvalho. Da mesma forma que o Ruby Reserva, o Tawny Reserva também precisa passar por um painel oficial de degustação. Este estilo consegue combinar a fruta da juventude e a complexidade da maturidade.

Na sequência temos os Tawny com indicação de idade. Esse tipo de vinho do Porto passa por um longo envelhecimento oxidativo (em contato com oxigênio) dentro de pipas de carvalho. Os vinhos podem ser rotulados como 10, 20, 30 ou 40 anos. Importante dizer que esses não são vinhos de um único ano (safra), a idade indicada no rótulo é uma média dos vinhos que integram o corte. Para poder indicar uma idade no rótulo, o vinho deve apresentar características típicas de um vinho envelhecido por aquele tempo:

 

  • Porto Tawny 10 anos: de cor âmbar, traz notas de damasco, toffee e amêndoas; pode apresentar algumas semelhanças com o Tawny Reserva. 

 

  • Porto Tawny 20 anos: a coloração pode variar de âmbar avermelhado até âmbar dourado; os aromas são mais evoluídos, trazendo notas de frutas brancas em geleia, baunilha, nozes e um toque de carvalho tostado.

 

  • Porto Tawny 30 anos: de cor castanho dourado, este vinho apresenta aromas de avelã, mel, frutas secas e especiarias, como gengibre. 

 

  • Porto Tawny 40 anos: de coloração dourada, no nariz podemos sentir frutas secas, castanhas assadas, caramelo, café torrado e noz moscada. 

Por fim, temos o vinho do Porto Colheita, que é um Tawny feito de uma única safra. Por lei, devem passar por um envelhecimento mínimo de 7 anos em carvalho, embora a maioria dos produtores envelheça-os por muito mais tempo. O produtor decide quando engarrafar o vinho, que sai para o mercado pronto para consumo. Esse estilo é ainda mais raro que o Porto Vintage.

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*Sujeito a alteração de estoque

Como tomar vinho do Porto?

Para começar, vale ressaltar que este é um estilo de vinho muito mais alcoólico do que os vinhos que costumamos tomar, portanto deve ser servido em quantidades menores! Enquanto servimos de 120ml a 175 ml de um vinho tranquilo, o ideal para o vinho do Porto é algo entre 50ml a 70ml, até mesmo porque a taça recomendada para o serviço é bem menor.

No que diz respeito ao momento ideal de consumo, temos algumas possibilidades: o vinho do Porto pode ser tomado antes das refeições, como um aperitivo; pode acompanhar um prato, apesar de não ser muito usual; pode ser servido para acompanhar queijos e sobremesas; também pode ser o acompanhamento de charutos; e, por fim, também pode ser apreciado sozinho.

Temperatura de Serviço

A temperatura ideal para servir o vinho do Porto vai depender do estilo. O Branco e o Rosé, por serem mais leves e frescos, devem ser servidos entre 8 e 10ºC. No caso tanto do Ruby, como do Tawny, que apesar de terem características diferentes, são jovens, recomenda-se servi-los entre 13 e  15ºC (nem muito frio, o que esconderia aromas e sabores, e nem muito elevado, o que destacaria apenas o álcool). Já os estilos com maior tempo de barrica ou envelhecimento, como o LBV, Vintage, Tawny com indicação de idade, Colheita e Crusted, devem ser servidos entre 16 e 18ºC, porque são mais complexos e precisam de uma temperatura mais elevada para mostrar todas as suas nuances aromáticas.

Em caso de dúvida, temos um artigo que explica tudo sobre a temperatura de serviço de diferentes vinhos.

Harmonização com vinho do Porto

Chegamos à parte mais deliciosa de todas: combinar vinho e comida. Porque um vinho que já é gostoso pode ficar ainda melhor se acompanhado do prato certo! Antes de nos deliciarmos, cabe dizer que, assim como na temperatura, existem diferentes combinações para cada vinho do Porto, mas algumas podem funcionar com mais de um estilo.

O Porto Branco seco é ideal para acompanhar peixes defumados, frutos do mar e até mesmo sushis e sashimis. Por sua estrutura, também pode funcionar com queijos como o Gruyère, azeitonas e embutidos. No caso do Porto Branco doce, pode apostar em sobremesas mais leves, como pêssegos em calda com creme, bolo de frutas e sobremesas à base de chocolate branco. O Porto Rosé é indicado para ser consumido com frutas frescas e pode ser uma ótima opção para fazer drinks.

Passando para os tintos, temos duas harmonizações clássicas que vão funcionar perfeitamente em todas as categorias: a primeira é com queijos azuis, como Gorgonzola e Roquefort. Esta é uma harmonização por contraste, pois pega-se um vinho doce e harmonizamos com um queijo bem salgado. Ou seja, a combinação dá certo porque ambos são equivalentes em intensidade de aromas e sabores.

A segunda combinação clássica é o vinho do Porto e chocolates! Em geral, as harmonizações de vinho e chocolate costumam não ficar muito boas, pois o chocolate é um alimento com alto teor de açúcar e gordura; portanto, para que a junção dê certo, é necessário que o vinho seja igualmente ou mais doce que o chocolate. Os vários estilos de Porto tinto cumprem bem esse papel.

Indo além do clássico, temos muitas outras opções: o Porto Ruby também vai combinar muito bem com torta de cereja; o LBV ficará ainda mais incrível com o queijo serra da estrela ou então com uma torta de chocolate amargo e o Vintage pode acompanhar cafés, figos secos e nozes.

Do lado dos Tawny, você vai se apaixonar ao harmonizá-los com torta de noz-pecã, biscotti de amêndoa ou com um cheesecake coberto de caramelo. Para as versões mais envelhecidas, experimente torta de maçã com canela, torta de creme de coco e o elegante crème brûlée.

Tempo de guarda depois de aberto

Uma dúvida muito comum ao tratar de fortificados diz respeito ao tempo de conservação após a garrafa ser aberta. Por ter um nível de álcool elevado, o vinho do Porto aguenta um tempo maior depois de aberto. Os brancos e rosés são menos resistentes, devendo ser mantidos entre 2 ou 3 dias na geladeira depois de abertos.

Como os Rubys são feitos em um estilo mais jovem e com menos exposição ao oxigênio, eles sofrerão mais depois de aberto em comparação com os Tawnys. O Ruby, Ruby Reserva e o LBV podem ser mantidos por até uma semana depois de abertos; o Vintage não deve passar de 2 dias. O Tawny e o Tawny Reserva podem ser mantidos tranquilamente por até 3 semanas; já os Tawnys com indicação de idade ou colheita podem ser mantidos por até… pasme: 4 meses!

Qual a origem do vinho do Porto?

Agora que você sabe que o vinho do Porto é feito na região do Douro, deve estar se perguntando de onde veio esse nome se essa nem é uma região marítima? Vamos voltar uns 4 séculos na história para entender.

Por volta de 1.700, Portugal tinha uma forte relação comercial com a Inglaterra e, entre os produtos negociados, estava o vinho. Na época, as condições de transporte eram precárias e as viagens de navio eram bem longas. O vinho, como uma bebida sensível, sofria muito com essas viagens e muitas vezes acabava estragando antes de chegar ao seu destino.

Havia a necessidade de achar um meio de conservá-lo e a solução foi adicionar aguardente nos barris de vinho a serem transportados. Em alguns anos mais quentes, em que as uvas, e consequentemente os vinhos, tinham mais açúcar, a adição de aguardente para o transporte surpreendeu a todos com um vinho doce e de sabores fortes.

Os ingleses eram os maiores consumidores do vinho português; a demanda crescia tanto que, para dar conta da entrega, começaram a adulterar o vinho com adição de outros vinhos para render. Foi em 1756 que o Marquês de Pombal, então Primeiro ministro do Rei, criou o primeiro sistema de denominação de origem de vinhos do mundo, quase 200 anos antes do sistema francês.

Com esse sistema de regulamentação ficou definido que as vinhas deveriam ser plantadas na região do Douro, onde o clima e o solo eram mais propícios. Porém, com o Douro a cerca de 100km da costa, o comércio ficaria um pouco mais complicado. Dessa forma, para agilizar o processo, passaram a transportar pelo rio Douro o vinho ainda não finalizado dentro de barris até chegar ao Porto. O vinho era levado no município de Vila Nova de Gaia e, lá, era envelhecido até estar pronto para a comercialização, por isso o nome vinho do Porto.

Até hoje, alguns produtores continuam a envelhecer seus vinhos em Vila Nova de Gaia e o vinho do Porto continua a conquistar paladares por todo o mundo. Tão grande é o sucesso que no dia 27 de janeiro é comemorado o Dia Internacional do vinho do Porto. A data foi criada em 2012 pelo Center for Wine Origins, uma instituição americana da qual o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto também faz parte.

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